Bartira

05/06/2018

Bartira, filha do cacique Tibiriçá, o mais importante líder indígena da capitania de São Vicente, foi batizada com o nome de Isabel Dias. Unida ao português João Ramalho, que vivia entre os Tibiriçá nessa capitania. O padre Manuel da Nóbrega assim se referiu a João Ramalho: "(...) toda sua vida e de seus filhos segue a dos índios (...) tem muitas mulheres ele e seus filhos". Bartira também é referida por historiadores dos tempos coloniais pelo nome de Mbcy, que é uma aproximação fonética de seu nome indígena. A união conjugal de João Ramalho com a filha do principal chefe indígena do planalto de Piratininga foi reconhecida pelas autoridades coloniais como fundamental na viabilização do processo de colonização. Tibiriçá, ao oferecer uma de suas filhas para selar essa aliança, colaborou no estabelecimento do domínio europeu naquelas terras. O historiador John Monteiro realça que este gesto também pode ser interpretado sob a perspectiva da obediência à lógica e à dinâmica interna da organização social indígena, em disputas de território com outras etnias. João Ramalho e Bartira tiveram muitos filhos e filhas. Algumas destas casaram-se com os mais influentes homens da capitania, dando origem a ilustres famílias paulistas. Joana Ramalho casou-se com o capitão-mor Jorge Ferreira, que governou a capitania de São Vicente de 1556 a 1558 e, depois, de 1567 a 1572. Foi ele um importante administrador colonial e reconstruiu, em 1557, a Fortaleza de São Felipe, em Bertioga, no litoral. Após 1572, Jorge Ferreira mudou-se para o Rio de Janeiro, ajudando na fixação dos colonos na capitania. Do casamento de Joana e Jorge nasceram, além de um filho homônimo, morto, segundo testemunho de Hans Staden, por populações indígenas inimigas dos tupiniquins, a Marquesa Ferreira, que se casou com Cristóvão Monteiro, e Joana Ferreira. Esta última se casou com Tristão de Oliveira e depois com Baltasar Ferreira. O povoamento do planalto de Piratininga foi feito a partir do assentamento luso-tupi comandado por Bartira, João Ramalho e sua extensa prole, servindo de base para a instalação da futura vila de Santo André da Borda do Campo.

A bigamia de João Ramalho, porém, é assunto controverso entre os cronistas. Frei Gaspar de Madre-Deus afirmou que João Ramalho era casado em Portugal e que sua mulher provavelmente vivia, na época de sua união com Bartira, pois no seu testamento, datado de 1580, Bartira/Isabel era mencionada como sua "criada". Tampouco foram encontrados registros documentais do casamento legal de Ramalho com Bartira.

Fonte: SCUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital. Dicionário Mulheres. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. pp. 158

Contato: vivianedmoreira@hotmail.com 
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